Lula recebe para o COP30 ex-comandante do Frente al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda considerado terrorista global pelos Estados Unidos

 

Foto: Reprodução

Abu Mohammad al-Julani carrega uma trajetória marcada por controvérsias profundas, tornando-se figura central no novo arranjo político da Síria após derrubar o regime de Bashar al-Assad.

Ex-comandante do Frente al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda, al-Julani construiu sua influência em meio à guerra civil síria. Em 2016, anunciou o rompimento com a Al-Qaeda e rebatizou o grupo como Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) numa tentativa de se reposicionar como ator político nacionalista, movimento amplamente visto por analistas internacionais como uma manobra de imagem, não uma mudança ideológica real.

Apesar da mudança, os Estados Unidos ainda classificam-no como terrorista global especialmente designado, e por anos ofereceram recompensa de até US$ 10 milhões por informações que levassem à sua captura. A designação permanece em vigor, e ele continua sob sanções internacionais.

Além do passado ligado à Al-Qaeda, seu governo que hoje lidera na Síria é acusado por organizações independentes e organismos internacionais de uma série de abusos, como prisões arbitrárias de dissidentes, incluindo jornalistas, ativistas e opositores políticos; tortura e maus-tratos em centros de detenção sob controle do HTS; execuções extrajudiciais durante operações de segurança; repressão violenta a protestos em cidades da região de Idlib; violência sectária e perseguição contra minorias; imposição de restrições severas à imprensa e às organizações humanitárias.

Essas acusações colocam al-Julani entre as figuras mais controversas do atual cenário geopolítico do Oriente Médio

Síria e meio ambiente

A presença do ‘ex-terrorista’ na cúpula do clima causa, no mínimo, estranhamento.

Desde o regime de Assad até o novo governo, iniciado em janeiro, a Síria figura entre os países que mais destruiu o meio ambiente no Oriente Médio.

A guerra civil de 2011 provocou uma série de danos ambientais no país, entre eles: destruição de infraestrutura de água e saneamento, contaminação de solos e água, uso de refinarias improvisadas, poluição do ar, desmatamento por extração ilegal de madeira para combustível.

Relatórios internacionais apontam que mais de um terço das florestas sírias desapareceu nos últimos anos.

Além disso, a escassez de água e as sucessivas secas agravaram a desertificação e comprometeram a produção agrícola, aprofundando a crise humanitária no país.

Informações BZN/Crusoé

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