Foto: Cesar Perez/EI 19 Digital/AFP
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou completamente no domingo (19) a possibilidade de realizar novas eleições no país, com o objetivo explícito de impedir o retorno ao poder da oposição, que há anos denuncia fraudes eleitorais e falta de liberdades civis.
O mandatário afirmou que os opositores estão “à espreita”, sendo que a maioria se encontra no exílio.
“Eles gostariam de ganhar eleições para fazer negócio (ganhar dinheiro) com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que eles não tentem, por esse caminho, tomar o governo, tomar o poder”, declarou, durante um ato em Manágua em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista.
Ortega, ex-guerrilheiro de 80 anos que governa o país desde 2007, anunciou que a Assembleia Nacional, controlada pelo governo, trabalhará na aprovação de “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. E acrescentou: “por mais dinheiro que os ianques (EUA) lhes deem, não conseguirão”.
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro, mas as profundas reformas constitucionais — criticadas pela ONU, pela OEA e pela oposição — que entraram em vigor no início de 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos. Assim, em teoria, as próximas eleições ocorreriam apenas em novembro de 2027.
Em janeiro, quando se completou um ano da reforma que também criou o cargo de “copresidente” para Rosario Murillo, vice-presidente e esposa de Ortega, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que o cargo foi “inventado” sem mandato nem legitimidade, “porque sabe que não pode vencer” em uma eleição livre.
R7

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