Um dos principais símbolos do processo de privatização dos
ativos da Petrobras no Rio Grande do Norte está prestes a protagonizar uma
situação, no mínimo, curiosa. Vendidos pela estatal brasileira à iniciativa
privada durante o Governo de Jair Bolsonaro (PL) , os antigos ativos do Polo
Potiguar agora passarão ao controle de outra estatal: a colombiana Ecopetrol.
A Ecopetrol venceu, na última quarta-feira (5), o leilão da
Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) da Brava Energia. A empresa adquiriu
cerca de 25% das ações da companhia por R$ 2,67 bilhões. Somadas às ações
negociadas anteriormente com grandes acionistas da Brava, a operação fará com
que a petrolífera colombiana detenha 51% do capital da empresa. A liquidação
financeira está prevista para 17 de agosto.
Na prática, a Ecopetrol passará a controlar uma das maiores
empresas privadas de petróleo do Brasil. A companhia colombiana, porém, tem
como acionista majoritário o próprio Estado da Colômbia, que detém 88,49% de
seu capital.
Do público ao privado — e novamente ao público
Para o Rio Grande do Norte, a operação chama atenção
principalmente pela trajetória dos antigos ativos da Petrobras.
Em junho de 2023, durante o processo de desinvestimentos
promovidos especialmente pelos Governos de Michel Temer (MDB) e Jair
Bolsonaro (PL), a Petrobras concluiu a venda do Polo Potiguar para a 3R
Petroleum. Foram transferidas 20 concessões de campos terrestres e marítimos,
além de uma extensa infraestrutura de produção, processamento, armazenamento,
transporte e refino.
A negociação envolveu o Ativo Industrial de Guamaré,
unidades de processamento de gás, estruturas de tratamento de petróleo,
produção de querosene de aviação e diesel e o Terminal Aquaviário de Guamaré. A
Petrobras informou, na época, que o negócio previa pagamentos que totalizavam
aproximadamente US$ 1,445 bilhão.
Posteriormente, a 3R se fundiu com a Enauta, dando origem à
Brava Energia. Agora, com a aquisição de 51% da Brava pela Ecopetrol, todo esse
conjunto de ativos passa a estar sob o controle de uma empresa estatal
estrangeira.
O movimento produz uma ironia difícil de ignorar: ativos
retirados do controle da Petrobras sob o argumento da abertura ao mercado e da
transferência para a iniciativa privada acabam, poucos anos depois, novamente
sob controle estatal — só que não mais do Estado brasileiro, mas do colombiano.

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